TEMPO DE COMPREENDER

Estão todos reunidos na sala, ao redor do pinheiro. Os presentes começam agora a ser distribuídos, a casa é uma risada inteira e cheia de expectativas. A família resolveu, neste dia, desvestir-se das tensões e das angústias das jornadas comuns, apenas para permitir-se celebrar sem culpas a alegria. Alguns têm a alegria compromissada da crença; outros, apenas a alegria sem compromisso de estarem juntos. Mas pouco importa – o que importa é a própria alegria.

A Gustavo, pai de Betina, intriga um pouco todo esse júbilo. Talvez seja um pouco pela celebração em si, ele pensa, e outro tanto pelo alívio de estarem chegando firmes e fortes ao final deste ano. Mais ainda, por terem vencido a correria insana dos últimos dias – compras e trânsito, filas e buzinas, cardápios e tensões, cálculos e calores. Parece que estes dias anteriores já não existem mais nos sorrisos sem sombras de todos. Onde ficou o nervosismo da última semana, como desapareceu tão completamente? Que magia fez com que a estafa tenha sido tão pronta e simplesmente substituída por esta alegria leve que clareia a sala?

Ele não entende.

Mas agora é hora de Betina, quatro anos e tanta infância, receber os seus presentes. O pai a observa, ainda intrigado. E quando a filha recebe a boneca que havia pedido ao Papai Noel, não é necessário que ela ou ele digam algo nesta língua que ambos ainda aprendem. É possível que nem haja palavras para definir, mas está definido: o olhar da filha é a definição mais exata da felicidade.

E então ele entende.


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