PREZADA LEITORA, PREZADO LEITOR.

Aqui quem escreve é Henrique Schneider, advogado e escritor, inscrito na OAB/RS sob o número 26.398, residente e domiciliado na cidade de Novo Hamburgo. Pela primeira vez, desde que publico a coluna “Vida Breve” neste jornal – ou seja, desde março de 2003 -, não trago a este espaço qualquer texto ficcional. Pela primeira vez, não é nenhum personagem quem fala, mas sim diretamente o próprio signatário da coluna. E, nesta condição pessoal, registro a tristeza pela perda do meu amigo Luiz Felix, com quem tive o prazer de trabalhar na redação do NH. Mas não é para falar do Gordo que estou aqui, escrevendo em meu próprio nome. É para esclarecer ponto importante.

Duas semanas atrás, publiquei um conto no qual o personagem é um caloteiro que reclama das cartas de cobrança que vem recebendo da loja onde comprou uma televisão e não pagou. O homem esbraveja, diz que tais cartas são desnecessárias porque sabe muito bem que as prestações estão atrasadas. Ao final, como se não bastasse, ameaça processar a lona pelo dano moral que aquelas repetidas cartas lhe causam.

Achei que a ironia do conto fosse suficiente para deixar claros o absurdo da situação e a deslavada canalhice do protagonista. Era um texto que, tentando ser engraçado, também buscava a reflexão. Bom ou ruim, era só um conto.

Para meu absoluto espanto, recebi mais de uma irada correspondência me xingando, dizendo para que eu pagasse as minhas contas e deixasse de ser caloteiro. Leitor chegou a me aconselhar a que eu não vendesse minha honra por tão pouco – certamente sem se dar conta que a única diferença entre quem vende a honra por pouco e quem vende por muito é o preço...

Respondi diretamente a estas pessoas, mas percebi que outros leitores ou leitoras poderiam ter feito esta confusão.

Assim, esclareço de uma vez por todas: não comprei nenhuma televisão em prestações, não estou devendo em loja e costumo manter em dia minhas pequenas obrigações financeiras. Quem fez aquele absurdo foi um personagem, uma criação. Eu só o escrevi.

Porque é o que faço nesta coluna, há quase dez anos: escrevo pequenas peças ficcionais. Algumas são embasadas na realidade; outras, apenas fruto da imaginação. Os personagens, mesmo os escritos em primeira pessoa, são só personagens. Assim, o caloteiro do conto não sou eu.

Peço perdão por ocupar o tempo e espaço dos demais leitores e leitoras, mas este esclarecimento era necessário.

E a situação é tão surreal que chega a parecer um conto...


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