NESTE CARNAVAL EU VOU BEBER!

Neste carnaval eu não quero nem saber, vou beber o que eu quiser. Depois pego o carro e tudo bem. O cara trabalha o ano inteiro, de sol a sol, e tem direito de se divertir um pouquinho. E que se exploda esta tal da lei seca, estas bobajadas de blitz que só servem pra encher o saco do cidadão de bem. Vê lá se eu vou passar pela humilhação de fazer o tal do bafômetro! Não sou bandido nem nada, pra ser parado em blitz. Eu sei bem o meu limite, me controlo na bebida. E me traz mais uma cerveja aí, garçom!

O que é que uma celvejinha a mais vai me fazer de mal? Se fosse cachaçada ainda podia ser, pobre é que bebe cachaça e depois não se governa, mas eu não. Pego o carro e dirijo na boa, só na certa: cento e vinte, máximo cento e trinta, quero ver qualquer guardinha me pegar. Porque eu, malandro, eu não paro em blitz pra mané guarda me multar! Ô garçom, traz outra aí que eu tou mandando! Zuzo bem, podeixar que eu falo mais baixo!...

E tanto faz se o resto do pessoal do bar fica me olhando atravessado! Não bebo água na oreia... ops... orelha de ninguém! E vão cuidar da vida de vocês, cambada de fofoqueiro! E, dona, se a madama não quer que o filho escute, então vai bora!.. Embora, quer dizer. E garçom, ô viado, me traiz outra loira gelada que essa eu quero beber bem degavarinho! Saúde prá todo mundo e aqui proceis, ó!

Ô, malandro, traiz mais uma que tu é meu chapa! E não fica dando de difíxil prá cima de mim que aminhã eu volto aqui e te quebro a cara. E quem foi que disse que eu bebi demais? Eu só tomei uns golinho e sei os meu limite... óia só que eu faço um quatro e tu vai ver se eu tou bêbido! Que bêbido, que nada! Traiz aí mais uma ceva que eu faço o quatro pra todo mundo vê a... como é que se diz mesmo? A elegança, isso aí, a elegança. Traiz otra aí, veio... porque eu te considero, tu sabe que eu te considero!...

Ah, não vai trazer? Qualéquideu, malandro, qué dar uma de bom e se aparecer pros outros cliente? Mas nem quero mais celveja tua, fiadamãe, sou um cara muito fino pra tomar trago neste muquifo! Vou me embora daqui... tomar celveja num lugar que me considere!... E cadê a chave do meu carro? Cadê a chave do meu carro, cacete? Quem foi o ladrão que roubou a chave do meu carro??... Ninguém se mexe!!... Ah, taí, tá no meu bolso!... Malandra, tava se escondendo de mim!... Mas vamumbora, opa, vamembora, vamu nóis e o meu carro porque óia só, todo mundo óia pra mim! Taqui a chave do meu carro, eu bibi umas celveja e agora vou embora e vou dirigindo o meu carro, meu carraço branco...não, vermelho!... porque eu me garanto e eu sei dos meu limite! ...Bebo, dirijo e me garanto!

Deixa eu só conseguir me levantar que eu mostro proceis.


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