O PRIMEIRO AMOR A GENTE NUNCA ESQUECE

O primeiro amor da vida de Renato chamou-se Maísa.

Quando ela aparecia, era quase um tormento. Renato não sabia o que fazer, nem o que falar – e às vezes em que lhe saíam as palavras, era a voz quase sumida e tímida a dizê-las, as frases mal dispostas, nada que tivesse o poder de impressionar seu primeiro amor. Um formigamento no corpo, o perfume que enchia cada canto do lugar, os movimentos em suspenso, certa angústia boa e que lhe acelerava o coração, o enlevo por algo que ainda nem sabia o nome.

Porque Renato tinha sete anos quando conheceu Maísa. O primeiro amor, logo aos sete anos.

Os outros meninos da sala brincando de mocinho e bandido, correndo atrás das bolas de futebol no recreio, puxando os cabelos das meninas – e Renato apaixonado, infante coração sangrante.

Ele tinha sete anos.

E ela, a professora da primeira série, uma mulher feita.

*****

Renato agora tem vinte e cinco anos e está instalando os móveis no apartamento para o qual recém se mudou, depois da separação. Suado, a roupa suja e velha, tenta colocar na parede um espelho, a furadeira desacostumada de suas mãos inábeis. De repente, a campainha toca.

Ele atende a porta, um pouco irritado por nada e envergonhado pela própria aparência, talvez o cheiro de suor.

E é Maísa quem está à sua frente. Dona Maísa. Mais velha, é claro, mas os sinais do tempo só lhe fizeram bem. A mesma beleza, o mesmo ar de rainha egípcia – apenas mais madura.

“Dona Maísa!” – ele exclama, antes de possa dar-se conta, a primeira paixão rediviva naquele instante em seu peito.

Mas a antiga professora, que veio apenas trazer boas vindas ao novo vizinho, não o reconhece.


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