MENELAU

“Mas veja bem, Nicolau...”

“Menelau.”

“Como?”

“É Menelau, o meu nome. Não é Nicolau.”

“Ah, sim...” – o outro pára um instante, parece hesitar quanto ao que dizer mais adiante. Então não resiste – “Mas que nome estranho, esse!...”

“É grego. Menelau era o marido da Helena, a de Tróia. E o nome significa `o que não se curva ao povo’.”

“Mas que bobagem é essa? Por que é que alguém tem um nome de quem não se curva ao povo?”

“Sei lá, rapaz! Pergunta para o meu pai, para a minha mãe. Não fui eu quem me deu o nome!...”

“Tudo bem, tudo bem! Só achei estranho...Uma pessoa que não se curva ao povo. Meio anti-democrático, esse nome...”

“Mas o que é que tem isso? E por acaso é proibido ter um nome diferente, agora?”

“Não, não! Mas que é estranho, é...”

“Estranho por quê? O que é que tem de estranho nisso? Pô, meu, a gente nem bem se conhece e tu já fica zoando o meu nome! Qual é?

“Também não precisa ficar nervoso!...”

"Ah, pára aí! Se ficassem falando que o teu nome é estranho, engraçado, tu também ia ficar nervoso.”

“Tudo bem. Desculpa, então. Mas te acalma, para eu poder continuar com a história que eu ia te contar...”

O outro respira fundo, faz um gesto de quem se acalmou.

“Tudo bem, estou calmo. É só não falar mal do meu nome. E pode continuar a história.”

“Pois é. Como eu ia te dizendo, Nicolau...”


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