O OLHO

Chego a Curitiba para uma reunião de negócios e descubro que, no Museu do Olho, há três exposições que valem a pena: a individual do Luiz Paulo Baravelli, uma homenagem ao Guignard e a coletiva de gravuristas alemães do período entre-guerras. Tudo me interessa, e há o adicional: sendo Curitiba sempre uma passagem rápida, o fato é que também não conheço o próprio museu.

A reunião termina no avançado da tarde. Ainda assim, tomo um táxi e rumo para lá. Digo onde quero ir e não há necessidade de informar qualquer endereço; todos na cidade parecem conhecer o lugar.

E quando chego.

O motorista, talvez acostumado à beleza que enxergo pela primeira vez, me deixa próximo à rampa de acesso – como se fosse possível acessar ao museu imediatamente.

Porque não é.

O museu parece flutuar sobre um olho d´água, numa leveza que seria impensável em tanto tamanho – mas que está ali, presente, em curvas que se desenham no horizonte com suavidade que convida. E há as luzes – as que do prédio emanam e as que nele se refletem, tornando a cor do fim da tarde ainda mais intensa. É uma curva maior que repousa sobre outra menor, que lhe serve de base – tão simples, esta maravilha, tão despojada dos desnecessários, que não basta um olhar só para entendê-la. É preciso ver melhor este prédio, descobrir-lhe a beleza por inteiro, e decido enxergá-lo por todos os lados.

E cada canto do olho é um olhar diferente.

Ando devagar, como o pequeno que caminha à escola e se surpreende a cada tempo com as pequenas maravilhas do caminho. Penso na vida enquanto ando – se ela é mesmo um sopro, digo a mim mesmo, que este sopro sempre dure o suficiente. E o prédio – ah, o prédio, ele só, me emociona.

Quando termino o meu passeio, percebo que o museu já deve estar fechando e meu avião parte de Curitiba no dia seguinte, cedo da manhã. Não será possível ver as exposições.

Mas não faz mal, penso. Meus olhos acabam de ver uma obra-prima.


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