TELEFONEMA PREMIADO

E vamos então para o próxima ligação da nossa promoção `Telefonema Premiado”! Está discando, vamos ver... alô, quem está falando?

É a Marizete.

Marizete? Boa tarde, aqui quem fala é Welder Cristiano, do Programa Tarde Feliz...

Nossa mãe do céu!!! Nem acredito, acho que eu vou ter um ataque!! Seu Welder, eu sou a sua maior fã!!! Pode ter igual, mas maior que eu não tem!...

Obrigado, Marizete. E você ainda pode ganhar um dos prêmios do nosso programa!...

Welder Cristiano, eu nem acredito! Falando comigo! É muita felicidade... E sabe o que mais? Eu lhe vi um dia desses e você é muito mais bonito que nas fotografias. E sua esposa também! Uma loira tão linda!...

Ãhn, Marizete... acho que você deve ter me confundido com alguém...

Imagina, seu Welder, sem chance! Era você e a sua esposa, um mais lindo que o outro, como é que eu não vou conhecer? Tenho um álbum cheio de fotos suas. Você até de óculos escuros, decerto pra não ser reconhecido o tempo todo...

Não era eu, Marizete!

Era sim, seu Welder. Aqui perto da minha casa. Eu moro na Eudoro Pereira. Aquela avenida grande que o povo chama de rua dos motéis, sabe qual é?...

Sei, mas não era eu, dona Marizete!...

Marizete, Marizete. Me chama só de Marizete!

Pois é. Não era eu, Marizete...

Era, sim! Num carrão tão lindo, verde com vidro escuro... Aquele vidro fumê, é assim que chama? É o seu carro mesmo? Que carrão, hein?

Mas me diz uma coisa, Marizete: se o vidro era escuro, como é que você sabe que era eu?

É que eu vi quando você baixou o vidro para entrar no motel... Opa, falei demais, desculpa! O que é que todo mundo precisa saber onde você vai com sua esposa, não é? Um casal tão lindo, tão lindo!...

Não era eu, sua tonta! Já disse que não era eu, pô!...

Linda mesmo, a sua mulher! Loira, um cabelo cheio...

Não era eu, não era eu!

E o carro, então? Nunca vi um carro tão bonito! Carro de artista, mesmo! E vocês dois aqui, na minha rua! Imagina só! A vizinhança nem acreditou quando eu falei, seu Welder!.. Seu Welder? Alô? Seu Welder?


Outros Contos


A INDEPENDÊNCIA

OLHOS DE GATA SELVAGEM

NO CAFÉ

OS OLHOS

PROFESSOR ZANDOR

CENA PEQUENA

AS OPÇÕES

O CAVALEIRO E SEU CAVALO

O CÃO AZUL

PRIMEIRO DIA DE AULA

PRIMEIRA PÁSCOA

GRITO

MENELAU

DANÇAR A DANÇA INVISÍVEL

MONTEVIDÉU

BARBARA ANTHONY

DONA LIDIANE

DEFICIÊNCIA

EDUARDO, QUE ESPALHA ESTRELAS

S/A

 

 

 
 

 


Prêmio que agraciou Henrique Schneider é um dos principais concursos do Brasil


Entrevista: o processo de criação de Setenta


Henrique Schneider palestra no Festival Literário dos Campos Gerais