2014

Escrevo ficção o ano inteiro. Aqui no “Vida Breve”, semanalmente invento histórias e personagens – às vezes, bem próximos do real, a ponto de muitas pessoas pensarem que as pequenas tramas que crio sempre acontecem comigo.

Mas hoje não quero escrever ficção. Nesta última coluna de 2013, me dou licença para compartilhar com leitoras e leitores alguns de meus desejos para 2014.

Acima de tudo, desejo leveza a todos e todas. Leveza, sim.

Há anos, venho considerando que leveza deve ser a palavra-chave em nossos dias. Que a busca pela leveza seja uma constante necessária em nossas vidas. Que tentemos atravessar o tempo com um olhar mais leve, mais generoso. Ver problemas apenas onde existem problemas. Estou convencido de que a leveza gera leveza – se, no trânsito, todo mundo diminuir uma buzinada por dia, estaremos todos menos tensos quando chegarmos em casa à noite.

Porque o fato é que estamos muito pesados, todo mundo. Ninguém dá esta buzinada a menos. E damos a desculpa do corre-corre do cotidiano, a pressa em tudo - sem ao menos pensarmos em como diminuir esta correria. Às vezes, corremos demais para resolver um problema – quando a solução para o problema talvez seja, justamente, dar uma parada. Pensar para resolvê-lo, em vez de correr para resolvê-lo.

Além disso, é preciso parar apenas por parar: permitir a si mesmo o café e as risadas com um amigo antes de voltar para o trabalho não é perder tempo; é ganhar. Rir e conversar fiado não são luxos, ainda que às vezes pareçam ser, nestes tempos em que tão pouco nos permitimos.

Há um ditado indígena que acho belíssimo. O ditado ensina que, quando corremos demais, às vezes é necessário dar uma parada, para que nossa alma nos alcance. (Leveza, também nestas palavras.)

É o que quero, para mim e para todos. Se for para correr, que estejamos juntos de nossas almas.

Também desejo que julguemos menos em 2014 - ou que, ao menos, nossos julgamentos não sejam apressados. Cuidar da própria vida antes das outras é cuidar melhor de si mesmo. Sei o que falo.

E que no ano que vem as coisas boas sejam tão boas, que nem tenhamos tempo para prestar atenção às ruins.

Grande 2014 para nós todos. Desejamos, precisamos e merecemos.

O abraço,


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