PARA QUE SERVEM OS LIVROS?

O garoto entrou na livraria e olhou em volta, como se não acreditasse que tantos livros pudessem existir. Depois, dirigiu-se ao balcão:

“Quero um livro de mágica.”

O livreiro fez um gesto vago e que apontava para a livraria inteira:

“Todos os livros são mágicos.”

O menino repetiu o gesto do homem, mas com ironia.

“Não quero um livro mágico. Quero um livro de mágicas. Que me ensine a fazer mágicas.”

“Ah, queres ser mágico?”

“Não, quero aprender a desaparecer.”

“Mas para quê?” – interessou-se o livreiro, divertido.

“Por nada. Só quero saber como desaparecer. Às vezes é preciso.Tem um livro que ensine? Deve ter...”

“Não...” – pensou o homem – “Aqui não tem...”

“E nas outras livrarias?”

O homem pensou outro tanto, achando interessante a vontade do menino.

“Não, acho que também não.... é difícil encontrar um livro que ensine a desaparecer...”

“Quer dizer que, com tanto livro aqui, não tem nenhum que me ensine a desaparecer?”

“Pois é...” – respondeu o livreiro... “E nem nas outras.”

O garoto permaneceu em silêncio por uns instantes, como se tentasse descobrir o que fazer com a decepção: todas aquelas paredes cheias de livros e nenhum – nenhum! – que pudesse ensiná-lo a desaparecer!...

“Não quer algum outro livro?” – perguntou o livreiro. – “Que ensine outras mágicas, quem sabe?...”

“Não, não...´ - respondeu o garoto, sacudindo a cabeça.

E, enquanto já dava os primeiros passos para fora da livraria:

“Nada que ensine um garoto a desaparecer... Mas afinal, para que servem todos estes livros? ...”


Outros Contos


CARTA DE AMOR

TANTO TEMPO

A VOZ

A MOÇA DO 20º ANDAR

AS PERGUNTAS QUE NÃO SÃO FEITAS

O TRABALHO DO COELHO

MÃOS DADAS

ASFIXIA

CARTA PARA JANINE

O SENTIDO DA VIDA

OITO DE MARÇO

A HISTÓRIA

O HOMEM QUE VIRA A PÁGINA DA PARTITURA

VESTIDO DE NOIVA

A ESCOLA

OS OLHOS

ATRAQUE

O BEIJO

DIA DOS NAMORADOS

FELIZ NATAL

 

 

 
 

 


Prêmio que agraciou Henrique Schneider é um dos principais concursos do Brasil


Entrevista: o processo de criação de Setenta


Henrique Schneider palestra no Festival Literário dos Campos Gerais