O TRABALHO DO COELHO

Didico e a mãe caminham juntos pelos longos corredores do supermercado (a mãe não deixa mais que ele ande no carrinho de compras, diz que um homenzinho de quatro anos já é muito grande para isso), quando o garoto estaca em frente aos incontáveis ovos e chocolates pendurados e nas prateleiras. Súbito, os olhos do menino são só alegria e desejo! (tudo aquilo no meu quarto!, pensa ele.)

“Mãe, tudo isso é o coelhinho que faz?” – e ele aponta aquela imensidão colorida e olorosa à frente.

“Sim.” – a mãe responde meio distraída, mais preocupada que está em chegar ao setor das verduras do que em responder às curiosidades do filho.

“Mas como ele consegue?” – Didico está admirado. – “Ele tem ajudante?” (o moleque pensa em Papai Noel e todos os seus auxiliares).

“Acho que não. Acho que ele faz tudo sozinho.” (maçã, banana - pensa ela.)

“Nossa!” – responde o garoto. - “E ele traz tudo pro supermercado sozinho, também?”

A mãe não sabe bem o que responder, e esta conversa pode acabar num brete que ela não conhece – crianças e suas perguntas.

“Acho que sim...” (e alface, tomates, cebola...)

“E por que vem tudo pro supermercado?”

“É que fica mais fácil para ele. Aí não precisa ir em todas as casas, uma por uma...”

Ele pensa um pouco, intrigado. Depois, volta à carga:

“Mas se ele não vai nas casas, o que é que são aquelas marquinhas de pata de coelho que a gente sempre encontra?”

A mãe pensa um pouco, foi pega de surpresa.

“É que nem sempre dá pra todo mundo buscar os chocolates no supermercado, aí o coelho precisa ir na casa de algumas pessoas... É muito trabalho!” – diz ela. Depois, acha que hora de cortar o assunto – “Tá, agora chega! A mãe tá com pressa! Preciso comprar uma salada pro meu garoto crescer forte e bonito!...”

Tudo bem, pensa Didico – os chocolates estavam garantidos. Mas quando chegassem nas hortaliças, ia pedir à mãe para comprar umas cenouras para o coelho. Ele bem que merecia, depois de tanto trabalho.


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