O LEITOR MANDA

Quando o Leitor comentou com o Escritor que até gostava de ler os contos que este publicava periodicamente no jornal, mas que por vezes ficava sem entendê-los por completo, o escriba enfim deu-se conta de que talvez isso fosse mesmo um problema: não era a primeira vez que lhe diziam isso. Seguidamente – no restaurante, na fila do supermercado, no café, na conversa de rua – alguém comentava, com a delicadeza necessária, que não havia entendido o final do conto. Sempre o final. Parecia estar faltando alguma coisa, justificavam as pessoas. A história ficava no ar.

O Escritor, plantado em sua rasa insensibilidade, sempre achara o contrário: que justamente a falta de um final mais explícito, mais definido, era o que conferia ao conto o seu tempero maior, o seu mistério, o seu quê de imponderável, sua chance de brincadeira. Para o Escritor, o Leitor - de alguma forma - podia escrever o seu próprio final. Uma espécie de cumplicidade entre aquele que escrevia e aquele que lia. O Escritor escrevendo apenas parte do seu texto, deixando à outra que fosse escrita pelo olhar do Leitor. Não apenas uma leitura, mas a possibilidade de outras tantas. Enfim, o conto apenas como ponto de partida para muitos caminhos, e nunca como ponto único de chegada.

A maravilha da literatura para o Escritor, também era isso. O pobre Escritor.

Mas é claro que nem todo mundo pensa assim, deu-se conta. Neste mundo corrido em que vivemos, pouco tempo sobra à imaginação. Uma história com final não deixa dúvidas ou sustos ao Leitor. Será alegre ou triste ou nada disso - mas será e ponto.

Enfim, se o Leitor assim deseja, assim terá – decidiu-se o Escritor.

E sentou-se então a escrever um novo conto, com início, meio e


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