A INDEPENDÊNCIA

Cecília, a corajosa.

Desde ontem, é com esta palavra que ainda nem conhece que ela pensa em si mesma. E também pensa sobre si com outras tantas palavras que ainda não aprendeu: intrépida, audaz, valente, destemida.

Ela passa pelas pessoas em vôos baixos, vôos de garça aprendiz, e sabe (também sem saber) que só o que recolhe no caminho são olhares e gritos de admiração. Uma admiração nova, que Cecília desconhecia e à qual certamente ainda vai se acostumar melhor mais adiante. Agora, esta mais preocupada em fruir este tempo novo do que com qualquer outra honra possível.

O que conta, agora, não está na admiração ruidosa com que a brindam todos ao redor, saudando a vitória maiúscula de Cecília, o passo gigantesco que deu em direção à vida. Não: o que conta mesmo, para ela, é aproveitar em risos os louros desta vitória, estes ventos novos e macios que lhe acariciam o rosto, este caminho sobre o qual avança com forças e destrezas que não sabia que tinha. O que importa é este contentamento veloz, quase aos saltos. Importa é a gargalhada que dá, sem conseguir se conter, a cada descobrimento novo. Importam a liberdade, a independência – outras palavras que ainda não conhece, mas que já sente e sabe serem essenciais. E se há certas marcas mais difíceis na jornada, qualquer arranhão ou alguma dor, ela já aprendeu que isso é da vida, que passará logo - e que hoje pouco importa.

O que importa é a alegria. Esta alegria da independência.

Porque alegria é o estado de Cecília, desde ontem.

Desde a hora em que a mãe e o pai tiraram as rodinhas auxiliares da bici e ela não caiu.


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