A SUPER LUA

E hoje ele queria apenas escrever um continho simples, bem pão-pão, queijo-queijo, uma ceninha de supermercado, o encontro na rua, qualquer brincadeira, coisa assim. Nada com muito lirismo ou poesia, elaboração pequena, uma coisinha bem cotidianinha – esta era a levada para o conto que, cansado, tencionava escrever.

Mas aí sentou-se em frente ao computador e a lua – ai, a lua! Quem manda ter o computador no qual escreve instalado bem à frente da janela e esta janela estar escancarada olhando para a lua? Linda, ela. A super lua, como chamam aqueles homens de ideias poucas (porque ´super´... ora, ´super” não é a palavra que melhor descreve tanta beleza).

Elevasse as mãos e a impressão é que conseguiria pegá-la, tão grande e majestosa ela estava. E tão próxima. Mas não; achou melhor nem se mexer, apenas arregalando os olhos, num medo bobo de que aquele espetáculo fugisse.

E assim ficou, olhando a lua sem buscar palavras desnecessárias para descrevê-la. Quem levantasse os olhos ao céu naquele instante, teria a sua própria palavra; para explicar a quem não visse, nenhuma palavra seria suficiente.

Olhou a lua, olhou.

(Lembrou de um amigo que queria ser escritor e havia se mudado para uma casa com vista maravilhosa. Ele havia dito ao amigo que, com uma vista daquelas, escreveria muito. Ou não escreveria mais nada, replicou o amigo. Na hora, não entendera muito bem a resposta; agora, apenas olhando a beleza tanta daquela lua, havia conseguia entendê-la por inteiro.)

Olhar a lua, sem tentar descrevê-la - pensou. Pensar no conto mais tarde, sem tentar escrevê-lo agora – pensou. Agora era só olhar a lua, depois daria um jeito de escrever.

Mas quando se deu conta, o texto já estava pronto.

A lua o havia escrito.


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