(NA IMAGINAÇÃO)

(Na imaginação de Rodrigo, ele surpreende Daniela certa manhã com um ramalhete de flores do campo, miúdas e belas, pintalgadinhas de cores suaves, laço cor-de-rosa a envolvê-las. Tão bonitas.)

(Na imaginação de Rodrigo, ela fica sem fôlego quando recebe as flores, lindas e serenas, desacostumada que está a estes mimos.)

(Na imaginação de Rodrigo, ela mira o buquê por algum tempo e depois deposita-o suavemente na mesa mesma em que trabalha, cotidiano pequeno de papeis misturado à beleza nova das recém chegadas.)

(Na imaginação de Rodrigo, ela então pega-o pela mão – estas mãos desajeitadas – e convida-o a dançar, em frente a todos e sem dar-lhe chance a dizer não.)

(Na imaginação de Rodrigo, ele e ela dançam – e é tão linda a dança que executam, tão exatos os pés ritmados, tão cheios de uma leveza recém descoberta, que as pessoas da sala só sabem mesmo aplaudir.)

(Na imaginação de Rodrigo, ele toma a coragem e a beija no meio da dança, promessa e desejo, suspiro e alegria.)

(Na imaginação de Rodrigo, ela lhe devolve o beijo com o mesmo ardor.)

(E na imaginação de Rodrigo, ele então é o homem mais feliz do mundo.)

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Na vida real, ele é o moleque tímido que começou a trabalhar há pouco no escritório da empresa e que, por enquanto, mal consegue levantar os olhos quando passa pela estagiária recém contratada. Apenas trocam cumprimentos, os dois, e voltam rápidos aos seus afazeres.

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(Na imaginação de Daniela, Rodrigo chega certa manhã com um buquê de flores do campo.

E ela, então, o tira para dançar.)


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