AS TRUFAS

“Moça, onde eu encontro trufas iguais a estas que estão no seu carrinho?” – pergunta o homem.

“Ai, meu Deus!” – responde a mulher, olhos para cima, um ar de enfado e de certa repulsa.

“O que foi?” – surpreende-se o homem.

“O que foi? Ora, o que foi! Trufas, uma pinoia! Só porque eu estou sozinha no supermercado, o senhor já pensa que poder ir assim, no mais, chegando? Não tem cantada melhor prá dar?”

“Mas o que é isso, moça? Eu só perguntei onde a senhora achou estas trufas!...”

“Sim, mas e pra que serve este monte de funcionários do super?” – ela faz um gesto largo com o braço, algo ameaçador, mas não enxerga nenhum empregado. – “Não era muito melhor e mais certo pedir para eles? Não, claro que não! O Don Juan, conquistador barato, galã de quinta categoria quer perguntar para a primeira bonitinha que lhe aparece na frente só para puxar conversa e tentar alguma coisa!...Até parece que a gente não conhece o tipo! Não nasci ontem, malandro!...”

“Que é isso, moça! Eu só quero mesmo saber onde ficam as trufas! E tem mais: eu nem lhe acho bonitinha!..”

“O que é isso digo eu!! Primeiro, passa uma cantada das mais ordinárias e depois já começa a ofender! Onde é que já se viu? Só chamando a segurança, mesmo!!” – e a mulher olha para os lados, procurando algum funcionário próximo.

“A senhora está louca!” – o homem exclama, enquanto começa a se afastar: não deseja nada de problemas. – “E quer saber mais? Enfia estas trufas onde a senhora quiser!” – e pensa num lugar específico, sem dizê-lo.

A mulher fica esbravejando, apoiada em seu carrinho de compras, enquanto o homem se afasta com certa pressa medida – nada que chame muito a atenção – sem sequer olhar para trás: quer sair o mais rápido possível do supermercado.

É só o tempo de encontrar as porcarias destas trufas.


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