SURPRESA NA CHAMINÉ

São quatro da manhã e Raul dorme o sono dos justos quando, de repente, um baque forte e seco o desperta; parece o som de um corpo batendo no chão. Salta da cama e pega o revólver que guarda, sem saber usar, na gaveta do criado-mudo.

Chega à sala e se surpreende ao ver aquela criatura rechonchuda, pele clarinha, os pelos brancos, olhos avermelhados talvez de susto, ainda tentando se recuperar do tombo que levara descendo a lareira. Nas costas, preso por laços, um saco de pano, bem volumoso.

“Mas o que é isso?” – pergunta Raul, abaixando o revólver. – “O que é que estás fazendo aqui?”

“Também não sei!” – responde o outro, esfregando o corpo e vendo em si mesmo se está tudo bem. – “Estava trabalhando na minha fábrica, preparando os presentes para a garotada, quando de repente veio uma espécie de luz, um vento forte e me puxou...rapaz, que força! Sei lá o que era! E agora estou aqui, perdido não sei onde...”

“Na minha casa.”

“A gurizada está dormindo?” – ele se sobressalta.

“Ferrados no sono. É bom, porque se te encontram aqui, vai ser uma festa e ninguém mais dorme!..”

“Claro, claro! Mas vou dar um jeito de voltar logo para a fábrica, fazer mais presentes.” – e olha para a chaminé, pensando em escalá-la – quem sabe uma espécie de efeito reverso no tal do raio que trouxera até ali?”

“Mas ainda não é meio cedo para fazer os presentes?” – Raul pergunta, porque o outro parece meio desorientado.

“Nem tanto! O dia já está perto. E de mais a mais, a produção nunca para...” – e aponta para o saco às suas costas. – “isso é só uma amostra...”

“Ô, que bacana!” – comenta Raul.

“Vou te dar um de lembrança.” – e tira do saco um chocolate, a embalagem meio amassada pela queda,

E entrega o mimo a Raul, enquanto já começa a escalar pelo interior da chaminé:

“Fica tranquilo que está tudo bem.” – ele assevera.

Raul escuta e torce por isso – mas a verdade é que achou o Coelho da Páscoa meio perdido...


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