2015

Este é o último texto do “Vida Breve” de 2014. Na semana que vem, já estaremos em 2015. E a época do Ano Novo é uma das únicas ocasiões em que me permito não escrever ficção nesta coluna inacreditavelmente longeva.

No último texto do ano passado, desejei a todos aquilo que tenho buscado para os meus dias (e que, por óbvio, nem sempre consigo): a leveza.

Há tempo, acho que a leveza deve ser palavra-chave na vida de cada um de nós. É importante (necessário!) atravessar os dias com um olhar mais leve, mais generoso, vendo problemas apenas onde existem problemas, discutindo apenas sobre o que é necessário discutir. A vida fica tão mais leve e tão melhor quando deixamos de nos incomodar por nada (e quantas vezes por dia nos incomodamos por nada, envelhecendo sem necessidade?).

Mas que em 2015 nossas vidas tenham, ao mesmo tempo, leveza e intensidade. Não é um paradoxo. Leveza no correr dos dias; intensidade quando for preciso. Ou seja: quando for preciso discutir, que haja argumentos. Leveza e intensidade andando juntas: é como falar bobagens e contar piadas a noite inteira, num boteco, com gente com quem sabe-se que, na hora em que for preciso, dá para falar coisa séria...

Acho que estamos muito pesados em nossas vidas, desculpando a nós mesmos pela correria do cotidiano. Corremos tanto para resolver problemas que sequer nos damos conta de que, às vezes, a solução seria justamente dar uma parada. Pensar no problema para resolvê-lo e não simplesmente correr para resolvê-lo.

E também há ocasiões em que a gente deve parar apenas por parar. Permitir-se um tempo a mais, um café sem culpa depois do almoço. Não vale a pena ficar correndo o tempo inteiro apenas para construir grandes momentos – é preciso saber aproveitar os pequenos. A boa vida é feita disso.

Repito sempre um dito que, se não me engano, é indígena: quando corremos demais, às vezes é necessário dar uma parada, para que a nossa alma nos alcance. Lindo, este dito, e verdadeiro: de nada adianta correr sem alma.

Que possamos correr menos em 2015. E correr com alma.

Um grande ano para nós. Desejamos, precisamos e merecemos.


Outros Contos


A CELA

CRÍTICA LITERÁRIA

O VELHO ATOR

RETRATO PARA A MÃE

A SUPER LUA

OLHOS DE GATA SELVAGEM

ANA BETH

QUINZE ANOS

MAX, QUE TRATA BEM AS PALAVRAS

A COPA

AS FALAS DA MÃE

AS QUATRO

VESTIDO DE NOIVA

PAPAIS NOEIS

OS GÊMEOS, AS GÊMEAS

PRECONCEITO, ONDE?

A CIDADE EM OLHOS DE FUTURO

A INDEPENDÊNCIA

PALAVRARIA

LIBERDADE DE OPRESSÃO

 

 

 
 

 


Prêmio que agraciou Henrique Schneider é um dos principais concursos do Brasil


Entrevista: o processo de criação de Setenta


Henrique Schneider palestra no Festival Literário dos Campos Gerais