A BANDALHEIRA

Os dois casais amigos na praia, ambos bonitos, jeito de prósperos, rindo alto, felizes – o final de semana está ensolarado, o mar quase verde, um monte de gente usufruindo o sol, o garçom do quiosque renovando as bebidas e os petiscos de vez em quando. Mas daí a pouco, entre uma cerveja e outra, a conversa corre em direção às coisas da atualidade, aquilo que, à falta de melhor análise, as pessoas chamam de ´isto tudo que está aí.”

´É uma pouca vergonha, uma bandalheira.” – comenta um dos maridos, o de sunga preta.

“Uma roubalheira só, tudo corrupto.” – adenda a esposa, de biquíni branco.

“E não dá nada, nunca.” – a outra esposa, de biquíni preto.

“Onde nós vamos parar?” – pergunta o outro marido, o de sunga branca.

E todos concordam que não tem jeito mesmo, o negócio é mudar para Miami ou algo assim.

É sobre isso que falam quando o garçom traz mais umas cervejas. O marido da sunga branca diz que agora a conta é com ele, paga e recebe o troco. Quando o garçom se afasta, ele comenta – meio sorridente:

“O garçom me deu troco a mais.” – e mostra as notas.

“Quanto?” – pergunta a esposa, curiosa.

“Uma nota de vinte.” – responde ele, enquanto guarda o dinheiro na carteira.

“Opa! Dá duas cervejas e ainda sobra um pouquinho!” – comenta o outro marido, rindo.

O que recebeu o troco mais aponta o garçom, lá longe, com o queixo:

“Como tem trouxa neste mundo!”

E ele riem, todos. Depois, seguem falando da bandalheira que está o país.


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