O AMULETO

A voz suave e comportada informa os passageiros que o embarque do vôo acontecerá pelo Portão Dois. Diana sente outro tremor rápido, calafrio de medo e alegria, e coloca a mão sobre o peito apenas para se acalmar; sente a medalhinha que a mãe lhe dera como guarda e proteção. Pensa em mim e te agarra a ela, dissera a mãe, e nada de ruim vai te acontecer. Apalpa a medalha com a mão esquerda, passa sobre ela os dedos ansiosos e é como se certa mágica poderosa lhe quitasse automaticamente o tremor.

Uma vida nova, a universidade, tanto a aprender e experimentar – mas do outro lado do oceano! Os milhares de quilômetros que atravessará esta noite, o país desconhecido, a língua e as palavras que os dias certamente a ajudarão a aperfeiçoar, as aulas, as pessoas, as novas cores e luzes, o futuro – tudo tão longe daqui. É um aperto no coração, suor bom de expectativa. Sente novamente a medalhinha sobre o peito – e outra vez isto a acalma.

Diana tem dezenove anos e nunca saiu do país. Andou de avião duas vezes, viagens curtas, ambas com a mãe. E agora, na grande viagem de sua vida, aquela em que atravessará mais fronteiras, está por si. Os dezenove anos de coragem e ousadia que a fizeram candidatar-se e ganhar a bolsa de estudos agora se transformam em dezenove anos crianças, passos parecendo precisar de amparo. Mas o amuleto, ela pensa – apenas coisas boas.

Agora a voz do aeroporto chama para o embarque imediato. Diana percebe os próprios olhos marejados, borboletas invisíveis voando em seu estômago, e pensa que seu destino está ali, naquele instante.

É a hora.

Toca o amuleto outra vez, percebe sua força - e sabe que nada de ruim irá lhe acontecer. Então levanta e vai.


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