AS OPÇÕES

Talvez atirar-se da janela deste primeiro andar em que mora, e cair sobre o toldo do mercadinho do seu Antonio, destroncar o ombro ou deslocar uma costela, ou, no mínimo, ficar traumatizado por uns dois ou três dias - mas não: hoje é domingo, o mini-mercado está fechado e o toldo, recolhido; um tombo por aí seria certamente mais do que um simples machucado no ombro ou na costela.
Então, não.
Ou, quem sabe, tomar um vidro inteiro de remédio, pílulas ou xarope, agarrar uma caganeira das maiores do mundo e ficar fora de combate, pálido e se esvaindo no banheiro, por uma semana inteira, algo assim - mas não: nunca se sabe o efeito colateral dos remédios, daqui a pouco poderia se atrapalhar e entrar num sono de não acordar mais, o negócio é meio arriscado.
Não, também.
Ou entrar numa água gelada, mas gelada mesmo, daquelas de fazer bater o queixo só de pensar, e depois ficar com o corpo molhado, pronto para pegar a maior gripe, talvez até uma febre, daquelas de deixar derrubado por uns bons dias - mas não: com o calor que está fazendo por estes tempos, até a água gelada está quente, a febre ou a gripe vão virar um refresquinho.
Também não.
De repente, provocar o cachorro do vizinho que mora quase ao lado do prédio e que tem caras de poucos amigos, levar uma mordida e até talvez precisar tomar uns pontos - mas não: lembra que o cão do vizinho não é um daqueles viralatas que logo solta os dentes quando morde (e estes jaguarinhas de rua nem mordem, é só chamar e lá vem eles balançando o rabo), mas sim um daqueles rottweiller cuja mordida pesa uma tonelada e não largam nem que a vaca tussa.
É, também não dá.
Pode deixar um bilhete dizendo que foi seqüestrado, sumir por uns dias e depois reaparecer, meio sujo e esfomeado, dizendo que havia conseguido se livrar dos seqüestradores – mas não: história mais que furada, sem pé e nem cabeça, em cinco minutos qualquer um perceberia a invenção e, além do mais, aonde iria ficar por estes dias?
É, Rodrigo suspira, não tem jeito mesmo: vai ter que ir na aula amanhã.
Melhor começar a estudar para a prova de Matemática.


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PRESENTE

UM CARRAU AUTÊNTICO

MONTEVIDÉU

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A DAMA

A MOÇA DO 20º ANDAR

A CASA DA PRAÇA

FOGO ESPECIAL

O ERRO NOS OLHOS

A FILHA DA DONA MARLENE

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PREZADA LEITORA, PREZADO LEITOR.

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PAIXÃO DE CARNAVAL

A VIDA

ANDANDO NA CHUVA

A AMIZADE

A SERENATA

 

 

 
 

 


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Entrevista: o processo de criação de Setenta


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