A MENTE COLORIDA

As telas que pinta nem sempre se vestem de cores reais, tampouco terminam em suas próprias bordas - porque não se mede em palmos ou centímetros a grandeza da imaginação (até onde ela viaja? e será que termina?). Elas vão adiante. Podem ser muito maiores que seus limites e em seu vôo infinito cabem todas as cores, as puras e as misturadas, as possíveis e as impossíveis, as verdadeiras e as imaginárias. Às vezes, a cor mais bonita será real; outra vez, a inventada – mas pouco importa.

Também não importa a beleza de cada quadro – porque é impossível que não sejam belos, tanta a alegria com que são feitos. Olha para eles e sorri – em todos aqueles vôos, não há espaço para feiúra.

Não importa se há um ou outro que não goste - porque o fato é que nunca soube de alguém que não goste. Todo mundo gosta. Mas se alguém, por alguma razão, não gostasse – ai, que tristeza (para este alguém...)

A assinatura também pouco importa. (Ah, na verdade, ela importa: é identidade. Mas colocará na tela o seu nome, em caprichosa letra ou marca, como bem poderia escrever algum outro: Scholles, Mai, Rosina, Carlos Alberto, Poteiro, Basquiat.)

E não importa o preço dos quadros, eles não tem mesmo muito preço. A mesma tela custava dez ontem, custa cem hoje e custará novamente dez amanhã. E tanto faz, olhá-las não tem preço algum – e há, em cada quadro pintado, certo valor que não se calcula, e que se mede mais por sorrisos e aplausos que por cifras.

Tudo isso pouco importa. Nem pensa em nada disso - tamanho, forma, técnica, preço - enquanto carrega a tela com as cores de suas canetas ou tintas. Estes detalhes, se existem, são para os outros.

O que importa para ele é que, com a alegria da liberdade e a liberdade da alegria, pinta em todas as suas telas a colorida força da vida.


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