NUM DIA QUENTE

As duas mulheres, Lucilia e Fernanda, se encontram meio ao acaso no hall de entrada do prédio luxuoso, em frente aos elevadores. Fernanda está um pouco suada - fez jogging e caminhou ainda há pouco - e bem satisfeita com o par de tênis que comprou, maciez e leveza nas medidas certas, investimento que valera a pena. Lucilia, não: arrumada para o dia, carrega pendurada ao braço uma sacola de boutique fina, sabe-se lá o que há dentro dela.

Elas se cumprimentam com um sorriso além do protocolo, mas um pouco sem jeito; talvez não estivessem preparadas para encontrar-se ali. Lucilia brinca com as cordinhas da sacola, esfrega-as levemente no braço enquanto busca o que dizer. Mas é Fernanda quem quebra este constrangimento quase imperceptível:

“Nossa! Vai fazer um calor, hoje! Olha só para mim, já toda pingando.”

`É, o calor vai ser grande.” – concorda Lucilia – e o fato é que também já sente o corpo um pouco suado.

“Esta roupa já tem que ir pra lavar.” – Fernanda comenta, meio sorrindo, enquanto aponta as marquinhas de suor na blusa colante com que correra ainda há pouco.

“Ah, tem que ir, mesmo!..” – concorda Lucilia outra vez.

E elas sorriem ambas, satisfeitas com o assunto comum, quando chega o elevador. Dele sai uma senhora, que mora no sexto andar, com um cachorrinho no colo. A mulher cumprimenta Fernanda e se afasta sem olhar para trás.

Fernanda entra no elevador e acena rapidamente para Lucilia:

“A gente se vê daqui a pouquinho.” – e ri, enquanto a porta do ascensor vai se fechando.

Lucília apenas sorri, não tem tempo de responder.

Agora, vai esperar o elevador de serviço.

Para subir até o apartamento de Fernanda.


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