BILHETE

“Nilda.

Talvez você não goste do que vou te dizer, mas é para o seu bem. E, porque o que interessa é o que está sendo dito e não quem diz, está aí agora este bilhete por baixo da porta, escrito no computador e sem assinatura.

É sobre o seu marido, o Osmar.

Você talvez já saiba, mas o Osmar não vale nada. É um safado.

Arrasta a asa para tudo quanto é rabo de saia que aparece pela frente. Loira, morena, negra, ruiva, japonesa, índia, tanto faz. O que vier, ele traça. E você aí, sem desconfiar de nada.

Ou você acredita que todas as vezes em que ele diz que vai precisar ficar até mais tarde no escritório é porque tem mesmo muito trabalho? Será verdade, isso? E quando ele te diz que vai jogar futebol sete com os amigos, toda a santa quarta-feira, será que vai mesmo? E estas viagens que ele seguidamente precisa fazer? Quem sabe, não são só uma enrolação? E as tantas outras vezes em que ele precisa sair, sem grande motivo ou sem motivo nenhum? Pense, Nilda, pense.

E cuidado! Se ele vez em quando te leva para jantar, traz umas flores ou outro presente, um agradinho qualquer, isso pode ser só um disfarce mixuruca para continuar te levando no bico. Para que você fique pensando que está tudo bem, tudo tranqüilo. Tática de malandro velho.

Repare que não coloquei nenhum nome de mulher neste bilhete, porque não sou de fazer fofoca e não quero ser responsável por nenhuma tragédia. Mesmo assim, achei que precisava te alertar para as galhadas que você pode estar tomando sem saber.

Só para te avisar.

Afinal, quem avisa, amigo é.

Ou amiga.”


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