WALDISNEY II

“Prezado escritor:

Acompanho semanalmente os textos que você publica no jornal. Há alguns que são bons, outros nem tanto; um ou outro, convenhamos, é francamente ruim. Em todos, entretanto – e isso é um mérito -, lê-se a presença de uma espécie de respeito democrático, da tentativa sempre necessária de não ser preconceituoso.

No entanto, em seu mais recente texto - denominado ´Waldisney´ -, publicado em 21 de fevereiro, acho que você ultrapassou as barreiras da ética e demonstrou um enorme preconceito, além de profunda insensibilidade. O conto (ou será crônica?) em que o empregador se chama Waldisney (com `’w” e “y”) e não dá chance a um candidato a emprego apenas porque este não riu do nome do próprio futuro (?) chefe, é de uma obtusidade como poucas vezes li em minha vida. Um texto de poucas luzes. Mais que isso: nenhuma luz.

Faltou a você o necessário respeito com as pessoas que porventura tenham um nome fora dos padrões comuns e que, por causa de tão singela razão, sofrem cotidianamente. Sofrem por algo sobre o qual sequer têm qualquer responsabilidade, porque é desnecessário lembrar que os nomes – esdrúxulos ou não – lhes foram dados pelos pais. Não vou trazer qualquer exemplo para não incorrer no mesmo desrespeito que agora condeno. Ninguém precisa ser ridicularizado por causa do próprio nome e um texto não pode ajudar a aumentar ainda mais tal preconceito. O mundo deve ser mais inclusivo e esta inclusão se dá nos pequenos detalhes. Da mesma forma que um cadeirante deveria ter direito a se locomover sem empecilhos pelas ruas da cidade, quem recebeu um nome incomum também deveria ter o direito de não ouvir gargalhadas a cada vez que se apresentasse.

Mas isso não acontece.

Uma pessoa com nome estranho (ou ´ridículo´, como levianamente está escrito em seu texto) já se encontra suficientemente exposta ao vexame das ruas, comentários cotidianos e maldosos, sem que seja necessário o incentivo de alguém que se diz escritor e que, com o espaço que tem na mídia, sabe que pode ser de influência.

Pense melhor sobre isso, meu caro escritor, antes de publicar o seu próximo texto.

Atenciosamente,

Waldisney Adroaldo Santana

PS: esta manifestação conta com o apoio de meus irmãos Clarquente Aderildo Santana e Brucewayne Adeilton Santana.”


Outros Contos


REENCONTRO

O VELHO ATOR

O PERSONAGEM QUE ME ESCREVE

O HORROR

O SOL FRIO

O PASSO EM DIREÇÃO

O DIA, LÁ FORA

O FIM DO MUNDO

A CHUVA SEMPRE

TRINTA ANOS E ESTA FOTO

O MEDO INVISÍVEL

O TRABALHO DO COELHO

ESTÁTUAS VIVAS

REPOLHOS SÃO MAIS DO QUE ISSO

TANTO TEMPO

TELEFONEMA PREMIADO

OLHOS DE GATA SELVAGEM

DÚVIDA

S/A

RECEITA PARA SARAU

 

 

 
 

 


Prêmio que agraciou Henrique Schneider é um dos principais concursos do Brasil


Entrevista: o processo de criação de Setenta


Henrique Schneider palestra no Festival Literário dos Campos Gerais