A CIDADE EM OLHOS DE FUTURO

Esta cidade amanhã já não será a mesma.

Repara: percorrerás talvez a mesma rua em que andaste ainda hoje e ela talvez até parecerá igual. Mas será tão igual quanto diferente. Porque também haverá nela nuances novas, a festa quase invisível que se apresenta a cada dia, a sombra crescente do prédio que se ergue em pedra, a luz única e rósea que o sol lançará na vidraça da casa até ser interrompido pelos fantasmas das nuvens, as flores novas que encantarão os galhos da extremosa, o casal que conversará outros assuntos enquanto compartilha as águas tranquilas do chimarrão, um aroma que passará sem que percebas, o sapato que ontem se exibia na vitrine e que já estará enfeitando os pés de alguém.

Olharás para cima e na janela do edifício encontrarás a mesma moça que enxergaste ontem, mas ela estará pensando em algo novo e olhando para uma cidade diferente.

Vê os teus passos: também eles, amanhã, não serão os mesmos.

Igual acontece com os passos da cidade.

E deve ser assim, pensas: enquanto se renova em seus dias, ela se fortalece sua história. Nos passos dados ao futuro ecoam as pisadas do passado.

A cidade não escapa de si e nem foge do seu destino.

São incontáveis caminhos que não acabam, justamente porque estão sempre se construindo.

Reinventando-se ambos a cada dia, a cidade.

Todos os dias a mesma história e todos os dias uma história nova. E todos os dias, também, a mesma história nova.

Porque a cidade se mantém e se transforma. Corre enquanto permanece.

E assim é eterna.


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