AS FESTAS

Ela então engalanou-se toda para as festas, ficou ainda mais bonita do que habitualmente era.

Vestiu-se de todas as cores, as possíveis e as impossíveis, as reais e aquelas que nem os olhos mais sonhadores imaginam. Mas teve o cuidado de não misturá-las simplesmente, criando uma cor única e que, depois de certo tempo, se transformaria apenas em cansaço. Não; usou-as um pouco aqui e outro tanto acolá, mapeando a si própria com diferentes nuances – violeta, amarelo, laranja, cor-de-rosa, vermelho, uns salpiques de verde espalhados por todo o canto.

As festas. Festas de muitos arco-íris.

E também perfumou-se. Mas, da mesma forma que às cores, não se prendeu a um único aroma. Pode até parecer estranha esta mistura a quem não consiga apreciá-la com o vagar necessário, mas o fato é que basta apurar o olfato para saber que ela, sabedora dos segredos, acertou em cheio. São fragrâncias quentes e suaves, densas e doces, cheiros que prometem ou induzem e aqueles, ainda melhores, que fazem relembrar a infância.

As festas. Festas de muitos perfumes.

E como estava quase pronta para as festas, ela então se ensolarou. Um sol por dentro, claridade um pouco única, que não depende dos humores do dia. E também fez-se música, uma e muitas, sons de diversos brilhos.

A cidade.

Toda engalanada para as festas, a cidade.

A festa da primavera.

E a festa deste domingo.


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