LADY MADONNA

Os homens do marketing da gravadora entraram na reunião decididos a sair de lá com o perfil da nova estrela musical da companhia. Precisavam de um sucesso esplendoroso, algo mega-mega-mega, para faturar milhões de bilhões em todas as moedas.

“Tem que ser muito bonita.” - disse um dos diretores, e todos os outros concordaram.

“Mais que bonita, precisa ser sensual. Alguém que, quando se mexa, mexa também com a imaginação dos homens.” – disse outro, com a concordância dos demais.

“Dos homens e das mulheres!” – comentou um, e todos os demais balançaram a cabeça em sinal de afirmação.

“E precisa ter um visual exótico. Algo meio chocante, para marcar mesmo.” – e também aí ninguém discordou.

“Mas precisa ser um exótico tipo mutante. Algo que esteja também sempre surpreendendo o público. Loira num dia, japonesa no outro. Hoje uma gata, amanhã talvez uma sereia.” – adendou um dos presentes, enquanto outro diretor assoviava em aprovação: sereia, sereia, já pensaram que genial?

“E deve ter uma beleza que inspire confiança. Algo que ajude a vender produtos.” – sugeriu um diretor.

“Qualquer produto.” – completou outro, sob a aprovação unânime dos demais, que já começavam a enxergar, na sua frente, a nova estrela musical da gravadora. E cifras, claro.

“Tem que ter um nome bombástico! Lady Madonna, algo assim.”

Maravilhoso, concordaram os demais. Lady Madonna fechava todas.

“E precisa saber cantar bem!” – lembrou-se o novo gerente, que recém havia chegado à companhia.

“Cantar?” – surpreendeu-se o diretor geral do departamento. – “Para que saber cantar?”

“Desculpa, é que eu achei que, como cantora...” – tentou completar o novo gerente, mas já o diretor o interrompia com um sinal impaciente, pronto para seguirem com as qualidades realmente necessárias.

A idéia besta do outro, pensaram todos. Este gerentezinho novo não iria muito longe na empresa.


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