“A hora em que os cafés fecham” vira curta-metragem
Crônica de Henrique Schneider foi inspiração para roteiro da produção que deve ser finalizada até o final deste ano.
   
Adaptações inspiradas na literatura não são novidade na indústria cinematográfica. E, felizmente, nem para o escritor Henrique Schneider. Mais um de seus contos agora é base para o roteiro de um curta-metragem, e ambos carregam o mesmo nome: A hora em que os cafés fecham.
Já em 2010, a cineasta hamburguense Cris Werle transformou em curta-metragem o conto O monstro debaixo da cama. Comprado pela RBS TV, o filme foi para o programa Curtas Gaúchos.

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Leia o conto “A hora em que os cafés fecham”

O local escolhido para as novas gravações, realizadas no dia 25 de setembro, foi o município onde Henrique Schneider nasceu e onde mora, Novo Hamburgo. E a movimentação foi grande. Um trecho de uma rua – a Bento Gonçalves -, inclusive, foi fechada na ocasião.

O escritor comenta a placa que servia de aviso aos motoristas sobre o trânsito interrompido, que chama de “simpática”. “Desculpe o transtorno! Estamos fazendo cinema em Novo Hamburgo.” Luis Fernando Rodembuch, natural de Taquara e diretor da produtora responsável pelo curta, a ParaNóia, relata a sensação de usar a cidade que adotou como sua de cenário, especialmente por também ter sido ator no filme.

“Foi um barato, muito bom ver curiosos passando, pessoas empolgadas com esse tipo de atividade em Novo Hamburgo, ligando para que pudessem fazer figuração... É uma coisa diferente para nossa cidade”, avalia Rodembuch. “E vai acontecer mais vezes”, adianta. “Quando filmarmos outro curta inspirado em um conto do Henrique, O dia em que a infância termina, em novembro, vamos fechar ruas de novo.”

DIÁLOGO - O roteiro é de Leonardo Peixoto e a direção, de Alexandre Rossi. E Schneider comemora a produção. “Não me canso de dizer que a literatura é sempre ponto de partida, nunca de chegada. Inspiração para o cinema, para a música”, defende. “Me encanta esse diálogo entre diferentes manifestações artísticas. Cultura é cultura. E nesse caso fico especialmente entusiasmado por ver minha cidade se movimentando.”

Tema chamou atenção do produtor,
que se orgulha do ator principal


O conto em questão foi publicado no jornal em que Schneider assina semanalmente uma coluna chamada Vida Breve, o ABC Domingo, no dia 19 de junho deste ano. É recente. Mas logo chamou a atenção de Rodembuch.

“Em sempre acompanho os contos, já tinha ouvido algumas leituras do Henrique. Gostei muito deste pela maneira como ele escreveu sobre a pureza e a amizade que as pessoas precisam ter. E porque fala sobre a solidão e a discriminação das pessoas, mostrando que a amizade e o reconhecimento podem ser pontos muito favoráveis para reintegração.”

O produtor não poupa elogios ao ator principal, o hamburguense Felipe Kannenberg (foto ao lado). “Ele foi meu aluno de teatro na Fundação Evangélica 20 anos atrás. Tenho muito orgulho disso na minha história. Ele se motivou e fez teatro em Brasília, São Paulo, tem 20 filmes no currículo, atuou na minissérie Aquarela do Brasil, da TV Globo, e está gravando a Davi e Golias, da Record... E fez questão de participar quando leu o roteiro.”

A intenção é colocá-lo “onde for possível”, conforme Rodembuch. “Vamos levar para escolas e apresentar em forma de palestras, para motivar mais pessoas a fazerem TV e cinema. Mas também há o objetivo de levar para o Gramado Cine Vídeo e outros festivais, como o de Ceará.” O curta deve estar finalizado até o fim deste ano. Está em fase de pré-edição, e, até o final de outubro, esta etapa deve estar pronta.

FOTOS: divulgação / ParaNóia Produções Artísticas
 
 

 


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