Dublinense publicará “Respeitável Público”, finalista do Açorianos
Editor Rodrigo Rosp define livro como “instigante, com grande qualidade literária, mas sem ser rebuscado ou hermético”.
   
Com expectativa de lançamento para o início de maio, a editora porto-alegrense Dublinense anuncia a publicação do livro Respeitável Público, do escritor Henrique Schneider. A obra foi finalista em 2014 do Prêmio Açorianos de Criação Literária, quando ainda era inédita.
O enredo trata da chegada de um circo mambembe a uma pequena cidade do interior. Alba Rosa, a filha de 17 anos do influente prefeito da localidade, se apaixona por Rômulo, trapezista. O pai de Alba não aceita o romance, ultrajado pela ocupação do rapaz, e arregimenta um exército para tirar Alba do circo – que por sua vez também apresenta suas armas. Cabe à moça impedir o confronto.

O destaque no Prêmio Açorianos foi importante para a decisão de publicação – mas, segundo o editor Rodrigo Rosp, não foi o fator principal. “O fundamental foi mesmo a qualidade do texto e o trabalho do autor, que já conhecemos bem”, argumenta.

De fato, este não é o primeiro trabalho de Schneider junto à Dublinense, que em 2015 pretende lançar entre 18 e 20 obras nacionais e internacionais e seguir dando espaço para os talentos que estão começando. Foi a editora quem publicou A Vida é Breve e Passa ao Lado (2011) e o escritor, o responsável pela tradução para o português do primeiro livro de autor estrangeiro lançado pela Dublinense, A Outra Praia, do argentino Gustavo Nielsen.

O crescimento da editora é observado com orgulho por Schneider. “É da Dublinense, por exemplo, a edição brasileira de À Sombra do Meu Irmão, do autor alemão Uwe Timm, que na Alemanha vendeu 250 mil exemplares”, comenta, mencionando também o recente anúncio de que a editora publicará Morreste-me, do premiado escritor português José Luís Peixoto. A obra, de 2000, ainda é inédita no Brasil.

Schneider apresenta “conjunto raro”, diz editor


Pela parte de Schneider, existia uma pequena expectativa de que Respeitável Público fosse publicado, graças à condição de finalista do Prêmio Açorianos. Na própria noite do anúncio dos vencedores, Rosp manifestou o interesse em ler a obra, e no final de dezembro sinalizou a vontade de publicá-la.

“É um livro instigante, com grande qualidade literária, mas sem ser rebuscado ou hermético”, resume Rosp. “O Henrique tem capacidade de articular um texto complexo que, ao mesmo tempo, tem alto nível de comunicação com os leitores. Isso é um conjunto raro.”

Respeitável Público tem pequenos elementos de realismo fantástico na construção de todos os personagens. As conversas entre a avó (viva) de Alba e o avô (falecido) da menina e também a cigana de 400 anos, que de tão velha brinca que é a própria avó, são exemplos do universo extraordinário criado por Schneider.

O livro já está diagramado, com 128 páginas, e duas revisões de texto já foram realizadas. Agora, a editora aguarda os estudos de capa.

“O grande barato da literatura é proporcionar múltiplas leituras. Eu conto uma história. Não há uma mensagem, digamos assim, específica. Quero proporcionar diversas leituras do mesmo livro – a interpretação, até piegas, da força da vontade e da paixão é apenas uma delas”, acredita Schneider.

> Notícia publicada em 17/02/2015.
 
 

 


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