Obra de Galeano terá sempre lugar de destaque na literatura, dizem especialistas
   
A obra do escritor uruguaio Eduardo Galeano, que morreu na última segunda-feira (13), em Montevidéu, ainda será lida por bastante tempo. A avaliação é de dois especialistas em literatura ouvidos pela Agência Brasil. Ganhador de vários prêmios literários, Galeano se tornou mundialmente conhecido quando,
em 1971, publicou seu livro mais famoso, As Veias Abertas da América Latina. Ele também é considerado um dos mais populares pensadores de esquerda da América Latina.

O professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) Ivan Ulloa Bustinza diz que o escritor uruguaio, que morreu aos 74 anos, embora abordasse temas complexos em seus textos, é muito lido entre o público mais jovem. Para Bustinza, Galeano tem lugar assegurado entre os melhores escritores latino-americanos de todos os tempos, e sua importância literária é indissociável do viés historiográfico e ideológico de sua obra.

“Galeano é uma autoridade intelectual e uma raridade no panorama latino-americano”, disse. “Um escritor de grande qualidade que logrou quebrar as barreiras entre a literatura e a história oficial ao se dar conta de que, muitas vezes, não há como atingir o verdadeiro alcance dos fatos históricos apenas olhando para os dados oficiais. Que, às vezes, é preciso recorrer a outros mecanismos, como a ficção, para tentar mostrar algo inacessível”.

Apesar de o próprio Galeano, ao participar, em 2014, da 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, ter sugerido que seu livro mais famoso está ultrapassado e que ele mesmo não seria capaz de voltar a ler a prosa “pesadíssima”, característica dos movimentos de esquerda da segunda metade do século passado, Bustinza considera As Veias Abertas da América Latina uma obra “fundamental”.

“É um livro muito importante para a literatura e para a historiografia hispano-americana. É, como o próprio Galeano disse, uma obra muito ousada para alguém tão jovem como ele era ao escrevê-la. Pode, certamente, ser pesada, mas eu a considero imortal. Só que tem que ser lida com os olhos da época, quando vários países latino-americanos eram governados por regimes ditatoriais e era necessário um pensamento próprio que transcendesse os pontos de vista europeus e norte-americanos”.

A professora do Departamento de Letras Modernas da Universidade de São Paulo (USP) Ana Cecília Arias Olmos também considera As Veias Abertas da América Latina “o livro mais importante de Galeano” uma obra-chave para entender como a esquerda pensava, há cinco décadas, a América Latina a partir de um “horizonte utópico”.

“Mesmo que em muitos aspectos esteja datado, o livro é imprescindível para pensarmos um período da história latino-americana. Inclusive para pensarmos criticamente o passado”, disse a professora, para quem Galeano terá sempre lugar de destaque na literatura latino-americana.

FONTE: Alex Rodrigues / Agência Brasil
FOTO: Fabio Pozzebom / Agência Brasil

> Notícia publicada em 15/04/2015.
 
 

 


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