“Fui convidado a escrever um livro infanto-juvenil e me senti desafiado", revela Schneider. "Pensei: vou tentar escrever sobre alguma coisa diferente."
A escolha do tema pelo escritor, porém, não foi aleatória: segundo uma série de estudos publicada na revista médica
The Lancet em 2012, essa é a segunda maior causa de morte entre jovens no mundo – e a primeira entre meninas de 15 a 19 anos. Na época da divulgação da pesquisa, o jornal
Folha de S. Paulo colocou em pauta a realidade brasileira. E aqui o suicídio é a terceira causa de morte entre jovens, ficando atrás de acidentes e homicídios.
Para Schneider, que até então não tinha escrito para o público infanto-juvenil, trata-se de uma contribuição para fazer-se debater esse tema. O diálogo com adolescentes é constante: o escritor, com frequência, realiza palestras em escolas para tratar da importância da literatura. "Vou muito a escolas falar para adolescentes", destaca. "Tenho conversado com eles e são sempre conversas muito boas. A interlocução é sempre muito boa."
Lançamento - O lançamento de "O Tempo Quase", editado pela Lê, grupo editorial de Minas Gerais, é previsto para abril e terá eventos em Novo Hamburgo e Porto Alegre, ainda sem datas definidas.
O texto de Henrique Schneider estava nas mãos de Elaine Maritza há algum tempo. Antes de convidar o escritor para escrever o que se tornou
O Tempo Quase, a editora já conhecia seu trabalho, e inclusive utilizou
O Grito dos Mudos (1989, L± e Bertrand Brasil) com seus alunos.
"Como o livro trabalha com um tema delicado e a Lê tinha publicado [
em abril de 2013] um livro que também trabalha com uma questão delicada, a morte, achei que a editora teria ousadia de publicar um texto assim – e, de fato, aprovou em poucos dias", lembra Elaine, referindo-se a
Vicente em Palavras, de Caio Riter. Martina Schreiner, responsável pela arte da capa do livro de Riter, também cuidou de
O Tempo Quase, de modo que ambos formam uma série (clique na imagem para ver a capa).
Sinopse
Martina tem quinze anos e é uma adolescente normal, cheia de planos e sonhos, alegrias e problemas, risos e inquietações. Amigas, festas, aulas, turma, as anotações no diário, uma ou outra briga com os pais – tudo isso faz parte do dia-a-dia da garota. E as dúvidas, claro, as dúvidas – elas são tantas, nesta época.
Mas, mais do que tudo, Martina é uma adolescente apaixonada por Eduardo, o seu primeiro namorado. Um namoro que já dura dois anos – uma eternidade, na adolescência. Martina ama Eduardo como se deste amor lhe dependesse a vida.
E talvez dependa mesmo.
Por isso, quando o namorado diz a ela que o namoro acabou, Martina simplesmente não consegue entender nada.
Um vidro inteiro de remédios para dormir – é a única solução que ela encontra para o problema.
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O que leva alguém a querer terminar com uma vida que ainda nem bem começou? As muitas contradições que convivem nesta idade? A ideia equivocada de que a morte é como nos desenhos animados antigos, nos quais o herói apenas sacudia o pó das pernas e saía andado após ser atropelado por uma manada de elefantes? A certeza errada de que nem a morte pode terminar com a invencibilidade adolescente? Ou a angústia pura e simples que mora em todos os corações humanos, qualquer que seja a idade.
Com "O Tempo Quase", sua estreia na literatura infanto-juvenil, Henrique Schneider aborda um tema que, apesar de não estar presente nas conversas escolares do cotidiano, marca presença de modo triste, sendo uma das principais causas da morte na adolescência: o suicídio.
> Notícia publicada em 12/03/14.